RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 35 e-35120 DOI: https://dx.doi.org/10.5935/2238-3182.2025e35120

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Artigo Original

Surto de Klebsiella produtora de carbapenemase KPC em Unidade Neonatal - estudo de caso-controle sobre fatores de risco

Klebsiella pneumoniae producing carbapenemase-KPC outbreak in a neonatal unity - a case-control study for risk factors

Roberta Maia de Castro Romanelli1,2; Lêni Márcia Anchieta1,2; Briana Henriques Machado Tarabaiw1; José Henrique Paiva Rodrigues1; Jordana Peruchi Fontis1; João Pedro Ribeiro Viana1; Guilherme Augusto Armond3; Paulo Henrique Orlani Mourão3; Maria Letícia Barbosa Braga Souza3

1. Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
2. Unidade Neonatal, Hospital das Clínicas da UFMG, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
3. Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, Hospital das Clínicas da UFMG, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil

Endereço para correspondência

Briana Henriques Machado Tarabai
Universidade Federal de Minas Gerais
Professor Alfredo Balena
Belo Horizonte, Minas Gerais, MG, Brasil
Email: brianahenriques@hotmail.com

Recebido em: 24 Fevereiro 2025
Aprovado em: 17 Agosto 2025
Data de Publicação: 03 Fevereiro 2026

Editor Associado Responsável: Alexandre Moura
Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte
Belo Horizonte/MG, Brasil

Fontes apoiadoras: Este trabalho foi financiado pela Universidade Federal de Minas Gerais e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) Brasil, por meio de Bolsas Institucionais de Iniciação Científica (Voluntários, UFMG/PROBIC/FAPEMIG e UFMG/PIBIC/CNPq), e pelo Minas Agência Estadual de Pesquisa e Desenvolvimento de Gerais (FAPEMIG).

Conflito de Interesse: Não há.

Comitê de ética: CAAE 589736.2.0000.5149

Resumo

OBJETIVO: A Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase KPC (Kp-KPC) surgiu e se espalhou globalmente como uma causa significativa de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) e surtos. O objetivo deste estudo foi descrever IRAS e um surto e identificar fatores de risco associados a infecções/colonização causadas por KPC em uma Unidade Neonatal.
MÉTODOS: Este estudo de caso-controle foi conduzido em uma Unidade Neonatal de referência entre dezembro/2022 e junho/2023. Recém-nascidos infectados e/ou colonizados por Kp-KPC foram considerados casos, e o grupo-controle foi pareado por faixa de peso e data de admissão. Os resultados clínicos e de dados dos dois grupos foram comparados para identificar fatores de risco. O banco de dados foi analisado pelo SPSS v21.0. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética.
RESULTADOS: Um total de 121 recém-nascidos (28 casos de colonização/infecção por Kp-KPC e 28 controles) foram acompanhados. Maior densidade de IRAS foi observada na faixa de recém-nascidos com peso de nascimento < 750g e 1.501 a 2.500g e, naqueles em uso de dispositivos invasivos, especialmente associados ao cateter venoso central. Procedimento cirúrgico prévio foi a principal variável associada à presença de Kp-KPC.
CONCLUSÕES: A população neonatal apresenta alto risco para IRAS. Medidas preventivas envolvendo procedimentos invasivos em recém-nascidos são de extrema importância para assistência a essa população.

Palavras-chave: Klebsiella pneumoniae; Enterobacteriaceas resistentes a carbapenêmicos; Recém-nascido; Surto.

 

INTRODUÇÃO

A Klebsiella pneumoniae produtora de carbapenemase KPC (Kp-KPC) surgiu e se espalhou globalmente como uma causa significativa de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) e surtos, e ressalta-se a importância epidemiológica em unidades de terapia intensiva neonatal (UTINs). A transmissão pode ocorrer de mãe para filho no nascimento, ou adquirida em unidades, por transmissão de pessoa a pessoa, por transmissão cruzada pelas mãos da equipe assistencial, por equipamentos e ambiente contaminado ou dieta1-3. Além disso, é descrito que a colonização intestinal de neonatos que mantêm estado de portador é responsável pela disseminação do microrganismo4.

Dentre os mecanismos de resistência aos carbapenêmicos, a produção de enzimas que hidrolisam beta-lactâmicos (incluindo penicilinas, cefalosporinas, cefamicinas, monobactâmicos e carbapenêmicos) tem impacto significativo devido à sua eficiência hidrolítica, codificação de genes em elementos genéticos como plasmídeos e transposons e rápida disseminação5. Estudos genéticos também têm sido realizados para identificação de genes de resistência presentes em cepas de Klebsiella pneumoniae responsáveis por colonização em população neonatal3,6,7.

Essa bactéria pode ter a capacidade de causar infecções potencialmente fatais em recém-nascidos, como sepse neonatal, com foco meníngeo, urinário, pulmonar e de tecidos moles8. As taxas de morbidade e mortalidade são altas devido às opções limitadas de antibióticos, pois esses microrganismos demonstram resistência aos carbapenêmicos e outros antimicrobianos, e estão incluídos no grupo Enterobacteriaceae resistente a carbapenêmicos (ERC)5.

Uma taxa crescente de colonizações e infecções devido à Klebsiella sp. resistente a carbapenêmico em neonatos foi documentada nos últimos anos1,9,10. Dado o aumento de surtos associados a esse microrganismo, tornou-se crucial identificar os elementos que aumentam o risco de colonização e infecção para implementar medidas preventivas eficazes. Em Unidades Neonatais, essa é uma preocupação ainda maior, quando se considera a baixa resposta imune inata e adaptativa dessa população11.

Em estudos que avaliaram colonização e/ou infecção por microrganismos Gram-negativos resistentes em neonatos, identificou-se menor peso, prematuridade, procedimentos e dispositivos invasivos (VM, CVC, SVD), uso de antimicrobiano prévio, nutrição parenteral e tempo de hospitalização12-23.

Portanto, no presente estudo o surto foi investigado e descrito para identificar fatores de risco associados à infecção/colonização causada por Kp-KPC em uma Unidade Neonatal de referência.

 

MÉTODOS

Trata-se de um estudo de coorte do tipo caso-controle aninhado, realizado no período de dezembro de 2022 a junho de 2023, na Unidade Neonatal do Hospital das Clínicas da UFMG (HC/UFMG), que compreende a Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal (UCINCo) e a Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru (UCINCa).

Todos os recém-nascidos admitidos na Unidade de Cuidados Neonatais foram incluídos para acompanhamento de coorte, de acordo com as recomendações da Vigilância de Controle de Infecção. Para o estudo de caso-controle aninhado os critérios de inclusão foram: a) Casos: pacientes infectados e/ou colonizados por Klebsiella pneumoniae Carbapenemase Produtora de KPC (KPC); b) grupo-controle: recém-nascidos com culturas de vigilância negativas, pareados por faixa de peso ao nascer e por data de hospitalização dentro de um mês em relação à data de admissão do caso.

Foram excluídos os pacientes que não permaneceram internados por pelo menos 24 horas e aqueles sem as informações necessárias para análise.

A coleta de dados foi realizada de forma prospectiva e sistemática, diariamente, por profissional especializado e treinado da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do HC/UFMG, em consonância com as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) para vigilância de infecções de setores críticos24,25. Os critérios para infecções notificadas seguiram as definições para Unidades Neonatais da ANVISA26.

As variáveis preditivas avaliadas como fatores de risco para o estudo caso-controle foram: uso e tempo de dispositivos invasivos (Cateter Venoso Central - CVC; Ventilação Mecânica - VM; Sonda Vesical de Demora - SVD), cirurgia, nutrição parenteral, uso e tempo de antimicrobianos e tempo de internação na Unidade Neonatal. Todas as variáveis preditivas foram incluídas antes da ocorrência de colonização ou infecção.

As culturas foram realizadas conforme rotina do laboratório de microbiologia. A identificação dos microrganismos foi realizada por método fenotípico automatizado (sistema bioMérieux VITEK® 2). Os testes de sensibilidade aos antimicrobianos seguiram o protocolo do Comitê Brasileiro de Testes de Sensibilidade aos Antimicrobianos - BrCAST5, utilizando difusão em disco, concentração inibitória mínima automatizada (sistema VITEK® 2) e gradiente de concentração (E-test®, bioMérieux). A detecção da carbapenemase foi realizada por método imunocromatográfico de fluxo lateral (NG-TEST CARBA® 5, Laborclin).

A definição de surto de KPC foi definida com o número de casos de infecção OU colonização por estes (acima de 3 desvios-padrão do nível endêmico), com base em um Gráfico de Controle, uma vez que este microrganismo não era prevalente na Unidade Neonatal. O nível de incidência médio foi de 0,2 casos, e o nível de alerta (2DP) foi considerado um caso, e o nível de controle foi definido como 1,5 caso por 1.000 pacientes-dia. Em seguida, foi realizado swab retal para identificar outros pacientes colonizados para definir medidas de mitigação.

Os dados coletados foram digitados em um programa interno, posteriormente compilados em um arquivo Excel® e importados para o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) v21.0, para análise estatística. A análise incluiu frequência de pacientes e mediana (com variação) de peso e distribuição por categoria de peso, número de pacientes-dia, frequência de Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) por topografia e microrganismos isolados, densidade de incidência de IRAS por 1.000 pacientes-dia, densidade de incidência de infecções por dispositivos invasivos, frequência de IRAS associadas à mortalidade e taxa de letalidade, frequência de variáveis categóricas preditivas e média e variação padrão de variáveis contínuas comparadas entre pacientes dos grupos caso e controle: sexo, procedimento cirúrgico prévio, cateter venoso central (CVC), ventilação mecânica (VM), sonda vesical de demora (SVD), nutrição parenteral (NP), uso prévio de antimicrobianos e tempo de internação na Unidade Neonatal.

O estudo faz parte das ações obrigatórias da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, de acordo com a legislação nacional24,25 e foi aprovado pelo Comitê de Ética da instituição (CAAE 589736.2.0000.5149).

 

RESULTADOS

No período do estudo, 121 recém-nascidos foram acompanhados na Unidade Neonatal do HC/UFMG. Considerando o tempo sob risco, foram 3.044 pacientes-dia, com densidade de incidência (DI) de IRAS de 20 casos por 1.000 pacientes-dia. Observa-se maior densidade de incidência de IRAS na faixa de recém-nascidos (RN) com peso ao nascer (PN) <750g e 1.501 a 2.500g. O número de pacientes em risco, IRAS, densidade de incidência de IRAS, IRAS associadas ao óbito e taxa de letalidade estão demonstrados na Tabela 1.

 

 

A maior densidade de IRAS associadas ao dispositivo foi a sepse confirmada laboratorialmente associada ao CVC, com 8,5 casos por 1.000 dias de CVC, seguida pela infecção do trato urinário associada à SVD, com 4,6 por 1.000 dias de UTI (Tabela 2).

 

 

O surto foi iniciado com dois casos de infecção como sepse de foco urinário devido à Kp-KPC. O primeiro caso de infecção de fonte urinária identificado foi em um paciente cirúrgico, que foi submetido à laparotomia, com isolamento de cultura de urina, em um paciente com SVD, CVC (PICC) e VM. O segundo caso de infecção com foco urinário ocorreu em um paciente sem dispositivos invasivos.

Assim, 2 casos de infecção por Kp-KPC foram definidos e 26 casos de colonização foram identificados por swabs. Um total de 28 casos de colonização/infecção por KPC foram considerados como casos, pareados com 28 controles. O peso mediano foi de 1844,5g, com uma variação de 610 a 4025g e o tempo médio de internação até a colonização/infecção ou alta/óbito foi de 23,71 dias (DP 28,46).

Em um swab de vigilância, dois casos anteriores de colonização foram identificados dentro do mês de identificação do caso e outro caso foi identificado posteriormente, no mesmo mês de vigilância, em um paciente que também passou por um procedimento cirúrgico. Se considerarmos as primeiras semanas epidemiológicas de vigilância, três pacientes dos seis primeiros casos com isolamento de Kp-KPC eram pacientes que passaram por um procedimento cirúrgico. Até a 18ª semana epidemiológica de 2023, havia nove pacientes colonizados/infectados passando por procedimentos cirúrgicos.

Foram registrados 11 casos de óbitos associados às IRAS, porém nenhum deles foi associado à infecção/colonização por Kp-KPC. Entre os pacientes com colonização/infecção por KPC, houve dois óbitos não associados às IRAS.

Nos 28 casos de casos de infecção/colonização por Kp-KPC, a Klebsiella pneumoniae foi a espécie identificada. Durante o período do estudo foram identificados 14 casos de infecção por bactérias Gram-negativas, com quatro casos de Enterobacter cloacae, seis casos de Klebsiella sp. (três casos de Klebsiella pneumoniae, dois casos de Klebsiella aerogenes, um caso de Klebsiella oxytoca), três casos de infecção por E. coli e um caso por Pseudomonas aeruginosa. Dois dos seis casos de infecção por Klebsiella sp. foram Kp-KPC, identificadas em urocultura, confirmados por método imunocromatográfico, e foram incluídos no grupo de casos do estudo de caso-controle aninhado. A Tabela 3 apresenta os microrganismos Gram-negativos isolados em casos notificados como infecção, de acordo com a topografia.

 

 

A Figura 1 apresenta o Gráfico de Controle da densidade geral de incidência de IRAS e colonização/infecção por Kp-KPC, durante o período do estudo.

 

 

Em relação aos fatores de risco avaliados, procedimento cirúrgico prévio apresentou diferença estatisticamente significante entre os grupos. Outras variáveis analisadas não demonstraram significância estatística neste estudo. Os fatores de risco avaliados encontram-se na Tabela 4.

 

 

DISCUSSÃO

Observa-se um aumento crescente nas taxas de microrganismos resistentes em Unidades Neonatais, incluindo bactérias produtoras de KPC6,27. Devido a limitações de estudos nessa população, é importante identificar fatores de risco para estabelecer medidas de prevenção devido a alto risco de mortalidade8 e escassez de opções terapêuticas5. Ressalta-se que um estudo realizado em uma Unidade Neonatal da China identificou que cepas de Klebsiella produtoras de carbapenemase KPC eram também resistentes a Ceftazidime-Avibactam28.

Os resultados do presente estudo demonstraram que a ocorrência de procedimentos cirúrgicos prévios está associada à colonização/infecção por Kp-KPC em recém-nascidos internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Estudos prévios também avaliaram cirurgia prévia como um fator de risco para infecções por microrganismos resistentes8,10,14,15. O estudo de Akturk et al. (2016)10 incluiu pacientes neonatais e pediátricos e encontraram associação a procedimento cirúrgico e colonização por Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenêmico em análise multivariada. O estudo demonstrou ainda que uso prévio de carbapenêmico, metabólica subjacente, neutropenia foram associados à colonização pelo microrganismo. Em um estudo caso-controle realizado em Unidade Neonatal da Turquia, Bor et al. (2021)8 identificaram que cirurgia se apresentou como variável preditora para mortalidade por infecção por Klebsiella pneumoniae resistente a carbapenêmico em análise univariada e a presença de malformações congênitas manteve associação significativa em análise multivariada, que representa o perfil de população que frequentemente necessita de procedimentos cirúrgicos, como no presente estudo. Cantey et al. (2013)15 identificaram procedimentos cirúrgicos a beira-leito, maior permanência na mesma unidade e tempo sob risco (paciente-dia) como preditores significativos para colonização/infecção por ESBL-Kp. O estudo de Ulu-Kilic et al. (2017)14 avaliou fatores de risco para aquisição de Acinetobacter baumannii resistente em surto de unidade neonatal e, embora cirurgia não tenha sido identificada como fator de risco com significância estatística, os autores consideram a transmissão cruzada no hospital devido à utilização de salas de cirurgia e de procedimentos invasivos em comum com pacientes adultos onde o XDR- Acinetobacter baumannii é endêmico. Esses autores também identificaram diálise peritonial, o que pode estar associado a malformações de trato urinário, como procedimento associado ao isolamento do microrganismo, sendo que o cateter de diálise era inserido em Bloco Cirúrgico.

Outros fatores de risco investigados não demonstraram diferença significativa entre os grupos de casos e controles no presente estudo, embora na literatura sejam estabelecidos fatores de risco para colonização e infecção por microrganismos resistentes, incluindo Gram-negativos resistentes12-23. A literatura também descreve outras variáveis associados à infecção/colonização em Unidades Neonatais, como suporte ventilatório, terapia inalatória, aspiração de vias aéreas, utilização de oxigênio, incubadora umidificada, dieta por sonda, uso de unidade ventilatória, também foram descritos como preditores em estudos que avaliaram surtos por Klebsiella pneumoniae, Serratia marcescens e Acinetobacter baumannii multirresistentes15,29,30, ressaltando o ambiente, material e água como fonte de transmissão cruzada31.

Em meta-análise que incluiu estudos citados, observou-se como fatores de risco para colonização/infecção por microrganismos resistentes em Unidade Neonatal o uso de acesso venoso (OR 1,58; CI95% 1,14 - 2,20); ventilação mecânica (OR 7,55; CI95% 4,27 - 13,36) e nutrição parenteral (OR 4,79; CI95% 2,23 - 10,29)27.

A alta frequência de isolamentos de bactérias Gram-negativas em 14 casos notificados de IRAS é de grande relevância, com sete casos em infecção do trato urinário, e dois desses casos foram por Kp-KPC. Esse perfil é descrito predominantemente em sepse neonatal em Unidades Neonatais de países de baixa e média renda, com microrganismos multidroga resistentes32. Em uma revisão publicada por Johnson et al. (2017)33 observou-se maior número de surtos por bactérias Gram-negativas em comparação a bactérias Gram-positivas em diversas Unidades Neonatais no período de 2015 a 2017. No entanto, nessa revisão observou-se em países em desenvolvimento apenas surtos por Gram-negativos, enquanto surtos por S. aureus, S. coagulase negativo e Enterococos foram relatados nos EUA, Japão, República Checa, Alemanha e França, Bélgica e Austrália33.

A maior densidade de incidência de infecção associada a dispositivos foi infecção associada a cateter no presente estudo, semelhante aos dados nacionais em todas as faixas de peso34. No entanto, ao considerar o maior número de infecções por Gram-negativos notificadas foram do trato urinário, com duas delas por Kp-KPC, ressalta-se que a densidade de incidência de ITU associada à SVD foi semelhante à do estudo anterior realizado na mesma unidade entre 2009 e 2010, com um total de 609 pacientes e uma taxa de 5,2 por 1.000 SVD-dia35. Essa densidade de incidência é semelhante às densidades descritas em outros países de média e alta renda que variaram de 5,8 a 5,4/1.000 SVD-dia de antes de intervenção para prevenção de infeção relacionada ao dispositivo36. No entanto, após intervenções, essa revisão sistemática36 mostra redução significativa da densidade de incidência, com taxas de até 1,5 a 2,49, o que revela necessidade de intervenção com esse objetivo. Ressalta-se que a infecção do trato urinário associada ao SVD é pouco frequente em Unidades Neonatais, pois sonda vesical de demora não é muito utilizada. Com baixa densidade de SVD-dia, o número observado de infecções impacta na densidade de infecções associadas a este dispositivo. Vale destacar que o estudo de Vergadi et al. (2017)37 demonstrou que internações prévias em Unidades de Terapia Intensiva Neonatal com surto de KPC apresentam associação com infecção do trato urinário de início comunitário, mesmo na ausência de anomalia do trato urinário, o que gera novas internações e maiores custos assistenciais.

A densidade de incidência total de IRAS foi maior quando comparada a países desenvolvidos e semelhante ou menor do que países de baixa renda38-41. Quando considerados os dados estratificados por continente, a densidade de incidência no presente estudo foi maior do que a descrita em países do Sul da América Latina, que inclui estados do próprio Brasil39. A densidade de IRAS foi também maior quando comparada aos dados nacionais34 e ao dados do Estado de São Paulo42. No entanto, essa taxa foi menor que em estudos anteriores realizados de 2008 a 200942 e 2009 a 201043, na mesma Unidade Neonatal, com DI de IRAS de 22,8 e 26,3, por 1.000 pacientes-dia, respectivamente. O grupo de recém-nascidos com peso de nascimento menor que 750g foi o que apresentou maior densidade de incidência de IRAS, o que é descrito na literatura internacional38,44-45, e semelhante ao encontrado em estudos anteriores na mesma unidade do presente estudo43,46. Foi observada também alta densidade de IRAS em neonatos com peso entre 1.500g e 2.500g e com peso superior a 2.500g. Maior densidade de IRAS nessas faixas de peso ocorre porque a maternidade é referência para gestação de alto risco, com uma Unidade Neonatal que é referência para casos complexos e atende recém-nascidos de alto risco, com destaque para pacientes com malformações47,48. Esses pacientes necessitam de procedimentos cirúrgicos invasivos e dispositivos prolongados como CVC e SVD, além de internações hospitalares prolongadas, com maior risco de IRAS.

Sobre a carta-controle, observou-se que ocorreu aumento da densidade de incidência de IRAS na semana epidemiológica 22, o que pode ser explicado pela limitação de admissão de recém-nascidos para realização de desinfecção terminal na unidade como medida de mitigação do surto recomendada49, o que resultou em redução do denominador, com menor número de pacientes na unidade neonatal no período.

As limitações do presente estudo incluem uma distribuição desigual dos pacientes, com predomínio de pacientes com peso superior a 1500g, com malformações e que necessitaram de procedimentos cirúrgicos, o que pode afetar a generalização dos achados para a população em geral. Além disso, a transmissão cruzada de microrganismos ao longo do período após o procedimento cirúrgico pode ter influenciado a persistência do microrganismo na Unidade Neonatal e influenciado as variáveis associadas ao desfecho. A falta de associação de outras variáveis preditoras neste estudo pode ser atribuída ao tamanho da amostra, além do período prolongado de surto, o que favorece a transmissão cruzada, o que foi ressaltado em estudos descritos em Unidades Neonatais14,15.

Ressalta-se ainda que recém-nascidos de alto risco, como os pacientes cirúrgicos, necessitam de manipulação frequente de dispositivos e as recomendações de uma cirurgia segura devem ser monitoradas como práticas de prevenção de transmissão cruzada50.

 

CONCLUSÃO

Procedimentos cirúrgicos têm sido associados à infecção/colonização por Kp-KPC, com necessidade de práticas de segurança estabelecidas para as fases pré, intra e pós-operatória, como antimicrobianos profiláticos uma hora antes do procedimento, processo adequado de esterilização, antissepsia da pele e das mãos, paramentação cirúrgica adequada da equipe e treinamento contínuo em medidas de prevenção e controle como medidas preventivas.

 

CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES

As contribuições dos autores estão estruturadas de acordo com a taxonomia (CRediT) descrita abaixo:

Supervisionaram e lideraram o planejamento, a administração e a execução do projeto, participaram da curadoria e análise formal dos dados, supervisionaram a investigação e conceberam a metodologia, auxiliaram na previsão de materiais, colaboraram na análise estatística e validação do estudo e participaram da redação e revisão do manuscrito: LM Anchieta; RMC Romanelli. Participaram da conceitualização, coleta e curadoria de dados e análise estatística: BHM Tarabai; Participaram da coleta, curadoria e análise, e da redação e revisão do manuscrito: JHP Rodrigues; JP Fontis; JPR Viana; Auxiliaram na conceitualização e concepção da metodologia, realizaram a previsão de recursos e a análise estatística e participaram da redação e revisão do manuscrito: GA Armond; PHO Mourão; MLBB Souza.

 

 

COPYRIGHT

Copyright© 2021 Lino et al. Este é um artigo em acesso aberto distribuído nos termos da Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Licença Internacional que permite o uso irrestrito, a distribuição e reprodução em qualquer meio desde que o artigo original seja devidamente citado.

 

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