RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 26. (Suppl.8)

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Artigo Original

Conhecimentos e percepções relacionadas ao HIV/AIDS: uma investigação com adolescentes de Vespasiano - MG

Knowledge and perceptions related to HIV/AIDS: an investigation with Teenagers from Vespasiano - MG

Luciana Ramos de Moura1; Daniel Pereira Rezende Cabral2; Eugenio Marcos de Andrade Goulart3; Cristiane de Freitas Cunha4

1. Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais - FCM-MG. Belo Horizonte, MG - Brasil
2. Faculdade de Saúde e Ecologia Humana - FASEH. Vespasiano, MG - Brasil
3. Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG, Faculdade de Medicina - FM, Departamento de Pediatria. Belo Horizonte, MG - Brasil
4. UFMG, FM, Programa de Pós-Graduaçao Promoçao da Saúde e Prevençao da Violência. Belo Horizonte, MG - Brasil

Endereço para correspondência

Cristiane de Freitas Cunha
E-mail: cristianedefreitascunha@gmail.com

Instituiçao: Faculdade de Medicina da UFMG Belo Horizonte, MG - Brasil

Resumo

OBJETIVOS: avaliar o conhecimento e as percepções relacionadas ao HIV/AIDS entre os adolescentes do município de Vespasiano/MG.
MÉTODOS: a amostra foi composta de 1.158 adolescentes entre 14 e 19 anos que cursavam o ensino médio das escolas públicas que responderam a questionários estruturados e autoaplicáveis. A análise dos dados envolveu estatística descritiva e testes de hipóteses (qui-quadrado, Mann-Whitney, Kruskal-Wallis).
RESULTADOS: a média de conhecimento geral sobre HIV/AIDS, numa escala de nove questoes, foi de 5,1 pontos. Os melhores índices de conhecimento estiveram relacionados à transmissão do vírus pelo sexo oral e não uso do preservativo.
CONCLUSÃO: há lacunas em relação ao conhecimento dos adolescentes sobre as formas de transmissão do HIV, especialmente para as situações de risco. Faz-se importante considerar as singularidades dos sujeitos na elaboração das estratégias de educação em saúde.

Palavras-chave: Conhecimento; HIV; Saúde do Adolescente.

 

INTRODUÇÃO E LITERATURA

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adolescência compreende a segunda década de vida (10 a 19 anos), na qual o crescimento e o desenvolvimento são marcantes.1 Entre as peculiaridades da adolescência encontram-se a necessidade de construção da identidade, o desempenho de novos papéis na sociedade, a mudança na relação de dependência da família, a inserção em grupos e a escolha de um projeto de vida.2 Essa fase deve, portanto, ser particularmente valorizada por caracterizar um período de mais vulnerabilidade dos adolescentes aos riscos para a saúde. Entre esses riscos, podem-se citar: as diversas formas de violência; uso de álcool, fumo e outras drogas; gravidez na adolescência; aborto; e infecções sexualmente transmissíveis (IST), entre elas a AIDS.3

Dados do Ministério da Saúde comprovam que mais de 70% dos casos de AIDS estao entre os indivíduos na faixa etária de 20 a 39 anos. Considerando o período de incubação da doença de aproximadamente 10 anos, grande parcela contraiu o vírus na adolescência.4 Apesar das campanhas e da divulgação em massa sobre os métodos de prevenção, a contaminação pelo HIV continua a se expandir rapidamente entre jovens de 15 a 19 anos, especialmente entre as mulheres.5 Muitas vezes a infecção ocorre durante as primeiras experiências sexuais, atingindo jovens desinformados, despreparados ou precocemente iniciados na vida sexual.6

O aumento da infecção pelo HIV entre os adolescentes, associado às transformações físicas, psíquicas e sociais próprias do adolescer, reflete uma situação de vulnerabilidade social preocupante.7-9 Além disso, as políticas públicas voltadas para adolescentes nem sempre levam em conta as especificidades desse público.10,11 Dessa forma, na construção de propostas de trabalho efetivas, faz-se importante revelar de que maneira os adolescentes compreendem a epidemia. Nesse sentido, o presente estudo objetiva avaliar o conhecimento e as percepções relacionadas ao HIV/AIDS entre os adolescentes do município de Vespasiano-MG.

 

MÉTODOS

Estudo transversal, quantitativo que avaliou adolescentes com idade entre 14 e 19 anos, matriculados no ensino médio de escolas públicas do município de Vespasiano-MG. O tamanho amostral foi definido por meio de amostragem estratificada. As escolas foram os estratos, e a variável de interesse para o cálculo foi a proporção do nível de conhecimento esperado 0,572 (28). O tamanho encontrado para a amostra foi de 812 indivíduos, considerando-se erro = +0,03 alfa= 0,05 (29). A amostra corrigida considerou 40% de probabilidade de desistências, sendo de 1.137 adolescentes. O cálculo amostral foi realizado com base nos dados disponíveis na literatura referentes aos índices de conhecimento relacionados ao HIV/AIDS em estudos nacionais.12

Para avaliação do conhecimento acerca do HIV/AIDS e suas formas de transmissão, foram aplicados dois questionários: Questionário de Avaliação do Comportamento Sexual de Risco (QACSR)12 e Questionário de Avaliação do Conhecimento sobre o HIV/AIDS (QAC)13. O Critério de Classificação Econômica Brasil (ABEP) foi o instrumento de escolha para avaliação da classe econômica dos sujeitos.14 O QAC é constituído de nove questoes divididas em dois grupos: o primeiro avaliou as formas de transmissão, o segundo, as situações de risco para o HIV. Para cada questao os respondentes foram classificados como "bem-informados" ou "mal-informados" e a soma dos dois grupos de questoes compôs o "Indicador Geral de Conhecimento sobre o HIV/AIDS". Já o QACSR é formado por 28 questoes que avaliaram o entendimento do adolescente sobre os comportamentos de risco para o HIV. Os resultados do estudo-piloto realizado em uma escola estadual da cidade de Belo Horizonte-MG evidenciaram adequação dos instrumentos da pesquisa. O estudo foi aprovado pelo Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).

 

RESULTADOS

A amostra do presente estudo foi composta de 1.158 adolescentes com idades entre 14 e 19 anos. A Tabela 1 apresenta as estatísticas descritivas para: idade, sexo, escolaridade e classe econômica. Houve predomínio de adolescentes do sexo feminino (57,4%). A média de idade da amostra foi de 16,4 anos (dp = 1,2 anos). A maioria dos adolescentes estava matriculada no primeiro e segundo ano do ensino médio e a classificação econômica mais frequente foi a C.

 

 

Os resultados indicaram mediana de cinco pontos (amplitude = 0 - 9) para o indicador geral de conhecimento, evidenciando que, na maioria das vezes, o adolescente conhece cinco das nove questoes abordadas no QAC. Apenas 1,3% dos adolescentes alcançaram a nota máxima na escala de conhecimento (Figura 1).

 


Figura 1 - Distribuição dos adolescentes segundo o indicador geral de conhecimento relacionado ao HIV/ Aids em Vespasiano/MG, 2010.
Fonte: dados do estudo.

 

Avaliados separadamente, os grupos de questoes apresentaram as seguintes medianas de acerto: 1 ponto (amplitude = 0 - 3) em um total de três questoes para o grupo "situações de risco" e quatro pontos (dp = 0-6) em um total de seis questoes para o grupo "formas de transmissão". A questao com maior número de acertos do QAC foi relacionada à transmissão do HIV por meio do sexo oral (79,5%), seguida pela questao que avalia a importância da camisinha (77,6%). Por outro lado, 60,3% dos adolescentes tinham conhecimento inadequado sobre o risco de casais heterossexuais com apenas um parceiro. Apenas 40,3% dos adolescentes apresentarem-se bem-informados sobre a transmissão do HIV por meio do coito interrompido (Tabela 2).

 

 

As moças apresentaram-se significativamente mais bem-informadas para o risco que envolve pessoas ou casais que mantêm relação sexual com vários parceiros (58,9%) e para o risco de casais homossexuais com apenas um parceiro (54,5%) e contato social com o portador do HIV/AIDS (68,4%). No entanto, para o risco de casais heterossexuais com apenas um parceiro, moças e rapazes apresentaram baixos índices de conhecimento (40,9 e 39,3% bem-informados, respectivamente). Para as outras questoes, as diferenças entre os sexos foram pequenas e para nenhuma delas os rapazes apresentaram-se mais bem-informados que as moças (Tabela 3).

 

 

A literatura identifica que sexo, escolaridade, idade e a classificação econômica são variáveis relacionadas à maior vulnerabilidade ao HIV.10,14,15 As adolescentes do presente estudo apresentaram melhor indicador geral de conhecimento, quando comparadas aos rapazes. No entanto, para as formas de transmissão do vírus, não foram encontradas diferenças significativas entre o conhecimento de moças e rapazes. O avanço do adolescente pelas séries escolares favoreceu significativamente o aumento do indicador geral de conhecimento. Por outro lado, não ocorreu significância estatística ao se associar as variáveis idade e classe econômica ao mesmo indicador (Tabela 4).

 

 

Os principais interlocutores para assuntos relacionados a sexo e sexualidade foram os amigos e a mae (47 e 42,5%, respectivamente). A televisão e o professor ocuparam o segundo e terceiro lugares, respectivamente (33 e 23%). Para os rapazes, os amigos são a principal fonte de informação (47%), seguido do pai (34%), mae (34%) e TV (34%). Por outro lado, para 51% das moças as maes foram identificadas como principal fonte de informação, seguida dos amigos (47%), TV (32%) e professor (29%). Cabe destacar que a diferença quantitativa observada no total se justifica pelo fato de o adolescente possuir mais de uma opção de resposta entre as fontes de informação apresentadas (Figura 2).

 


Figura 2 - Principais fontes de informação sobre sexo/sexualidade entre os adolescentes de Vespasiano/MG, 2010.
Fonte: dados do estudo.

 

DISCUSSÃO

Os adolescentes vespasianenses responderam de forma incorreta a quatro das nove questoes apresentadas no QAC. Considerando que a prevenção do HIV envolve um conjunto de saberes e informações que se relacionam16-19 , qualquer dúvida sobre as formas de transmissão do vírus podem se constituir em importante elemento de vulnerabilidade. Diferentemente dos dados encontrados em Vespasiano, nos primórdios da epidemia estudos já informavam bom entendimento por parte dos adolescentes sobre o HIV/AIDS. Na cidade de São Francisco (USA), em amostra de 1.326 adolescentes, 74% souberam o que era AIDS, 60% que eram causados por um vírus e 92% eram transmitidos por via sexual.17-20 Por outro lado, a pesquisa de conhecimentos, atitudes e práticas relacionada às DST e AIDS da população brasileira (PCAP)21 evidenciou melhora no conhecimento sobre o HIV/AIDS entre os anos de 1998 e 2004. Da mesma forma, estudo conduzido com 945 jovens de escolas públicas e privadas do Rio de Janeiro demonstrou bons índices de conhecimento sobre a AIDS e suas formas de contaminação.22

No presente estudo, o indicador geral de conhecimento sobre as questoes que envolvem o HIV/AIDS foi maior entre as moças, que também estiveram mais bem-informadas sobre os riscos envolvendo casais homossexuais monogâmicos, casais ou pessoas com múltiplos parceiros e sobre o contato social com o portador do vírus. Outros estudos nacionais também mostraram melhores índices de conhecimento entre as moças.11,23 Por outro lado, a porcentagem geral de acertos obtidos pelas adolescentes se manteve em torno de 50%. Dessa forma, apesar de as moças estarem mais bem-informadas que os rapazes, entre elas existem dúvidas relacionadas às formas de transmissão e prevenção da doença.22,23

A situação se agrava ao se avaliar o atual cenário epidemiológico brasileiro: ao passo que a incidência do HIV/AIDS diminui na população geral, entre os adolescentes, especialmente entre as moças, ela aumenta.14 Esse dado não condiz com o melhor índice de conhecimento apresentado pelas moças quando comparadas aos rapazes. A prevenção da infecção não depende exclusivamente do conhecimento, no entanto, a falta desse se constituiu em importante fator de risco.24

De maneira geral, os adolescentes em Vespasiano compreendem bem o risco relacionado ao sexo oral, resultado apresentado também por outros estudos.25,26 Por outro lado, ainda existem considerável número de adolescentes que não reconhecem o ato como fonte de contágio para as DST/AIDS.27,28 O uso da camisinha para proteção contra o HIV/AIDS ocupou o segundo maior índice de acertos entre os jovens. Apesar disso, é importante ressaltar que aproximadamente 20% da amostra não compreendem o preservativo como estratégia de prevenção ao vírus. Tendo em vista as campanhas de prevenção em massa e o trabalho do tema nas escolas, esperava-se melhor entendimento sobre o assunto. Além disso, os resultados de Vespasiano (77,6% bem-informados) ainda se encontram distantes da média nacional de (96,6 % bem-informados)21 e de outros estudos regionais.5,23, 27

No que diz respeito à transmissão do HIV pelo convívio social com os portadores, 64,4% dos adolescentes apresentaram conhecimento adequado e as moças, mais uma vez, estiveram significativamente mais bem-informadas (68,4%). Estudos brasileiros identificaram menos frequência de pessoas bem-informadas para as questoes relativas ao convívio social com portadores da doença (39,8%).28, 29

Para as questoes relacionadas ao sexo com penetração, 59,7% dos adolescentes em Vespasiano acreditam que a retirada do pênis na relação sexual (coito interrompido) impede a infecção pelo HIV, diferentemente de outros estudos5,21,30,31 nos quais os adolescentes se apresentaram mais bem-informados sobre essa questao. As crenças inadequadas relacionadas às estratégias de prevenção e contracepção podem estar refletindo negativamente na prevenção da infecção. Essa prática, além de risco para a transmissão do HIV e outras DSTs, pode também levar a uma gravidez indesejada.

Vários estudos indicam que a não adesão ao preservativo em relacionamentos estáveis é uma atitude amparada pela falta de percepção do risco relacionado a parceiros fixos.32,33 Em Vespasiano, a elevada frequência de indivíduos mal-informados para o risco de casais heterossexuais reforça esse dado (60,3%). Estudos afirmam que, na percepção dos sujeitos, a evolução temporal da relação afetiva implica estabilidade e, consequentemente, fidelidade do parceiro.22 Solicitar o uso do preservativo pode provocar a desconfiança entre o casal, por ser interpretado como um elemento questionador da fidelidade.34,35 A discussão sobre o risco das práticas monogâmicas deve ser interpretada pelos jovens sob o ponto de vista do comportamento de risco, e para esse basta que a relação sexual seja desprotegida.

Grande parcela dos adolescentes, em especial do sexo masculino, também esteveram mal-informados para situações de risco envolvendo pessoas com muitos parceiros sexuais (48% da amostra). Em Vespasiano, a frequência de indivíduos mal-informados para o risco da multiplicidade de parceiros foi superior à apresentada por outros estudos, especialmente o nacional, que no ano de 2004 foi de 5%.21 O número de parceiros sexuais é uma variável que se associa ao risco de infecção pelo vírus. A adolescência é marcada pela experimentação sexual, portanto, a não percepção do risco relacionado a múltiplas parcerias, associado ainda às dúvidas sobre o uso do preservativo, potencializa a vulnerabilidade dos adolescentes do presente estudo.

A variável idade não apresentou relação com o conhecimento sobre o HIV/AIDS, por outro lado, pequenas diferenças de escolaridade foram suficientes para melhorar o conhecimento dos adolescentes. Outros estudos também evidenciaram a mesma representatividade da escolaridade.12,21,36 Adolescentes com cinco ou mais anos de escolaridade têm menos probabilidade de ter a primeira relação sexual na adolescência e são mais propensos a usar os métodos preventivos nessa relação37 Por outro lado, no presente estudo a classe econômica não se associou ao conhecimento sobre o HIV/AIDS. De forma contrária, estudo realizado em escolas públicas de São Paulo26 revelou que melhores níveis econômicos se associam positivamente ao conhecimento sobre a epidemia.

Os amigos assumiram posicionamento importante como fonte de informação sobre o HIV/AIDS para rapazes e moças. Outros estudos também enfatizaram a influência das amizades nas emoções e comportamentos dos adolescentes.37 Reconhecer o adolescente e seus pares como agentes de informação e multiplicadores do conhecimento é fundamental para a efetividade de trabalhos preventivos.22 O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) trabalha a formação de jovens multiplicadores.38 Essa iniciativa entende que o fortalecimento dos próprios adolescentes como agentes de informação potencializa as ações preventivas.

Para os rapazes, o pai foi o principal interlocutor sobre os assuntos que envolvem sexo e sexualidade. Já para as moças, a mae teve posição de destaque. Essa situação mostra que, quando o assunto é sexualidade, as semelhanças de sexo podem aproximar os interlocutores. Diante da significância assumida pela família neste e em outros estudos,39 é importante que sua participação no contexto informacional do adolescente seja potencializada. Entre adolescentes mexicanos verificou-se que as moças que tinham alta probabilidade de usar algum método contraceptivo eram aquelas que falavam com suas maes sobre sexo e namorados.40

Apesar de a TV ocupar posição importante como fonte de informação para adolescentes,39 pesquisas comprovam a sua baixa efetividade.5 A mídia expoe a sexualidade de maneira ilusória e pouco significativa, não se aproxima da realidade dos jovens, contribuindo minimamente para a adoção de práticas seguras. Em virtude do impacto e da repercussão dos meios de comunicação e principalmente da importância dos mesmos para o público jovem; investimentos nesse setor poderao contribuir em propostas de trabalhos mais efetivos.

O jovem ocupa considerável parte do seu tempo na escola, é também para esse espaço que ele leva suas experiências de vida, curiosidades, fantasias, dúvidas e inquietações. No presente estudo, a posição de menos destaque ocupada pelo professor sugere dificuldades da escola para o trabalho com as ações de promoção à saúde. Assuntos relacionados ao sexo e sexualidade parecem ser trabalhados pelos professores, com enfoque anatômico e fisiológico, e as questoes práticas e comportamentais permanecem ainda pouco abordadas. Investimentos e capacitação dos professores para o trabalho com os adolescentes podem estar entre os caminhos.

Os profissionais da saúde são também importantes aliados no trabalho educativo.39 Esses profissionais, como educadores que também são, devem se empenhar na construção de saberes que envolvam trocas, debates, construção de ideias e formação de condutas que resultem em hábitos saudáveis.40 Espaços de diálogo entre adolescentes, professores e profissionais de saúde são, comprovadamente, importantes dispositivos para a construção de uma resposta social com vistas à superação das relações de vulnerabilidade à infecção por HIV e à AIDS.30,40,41 Os profissionais de saúde devem se aproximar dos ambientes escolares a partir de ações contínuas, longitudinais e integrais.42

 

CONCLUSÃO

As lacunas no conhecimento apresentadas pelos adolescentes do presente estudo sugerem que o déficit dos trabalhos educativos está relacionado à maneira como a informação sobre o HIV/AIDS é trabalhada e por quem é trabalhada. A adaptação das estratégias conforme as demandas do público-alvo, a contextualização da informação, assim como a valorização das especificidades regionais e individuais dos adolescentes, poderao contribuir para a almejada transformação pela informação nos espaços que o adolescente frequenta. Considerando, ainda, que a educação não se trabalha apenas no ambiente escolar, tampouco a promoção à saúde apenas nas unidades básicas, esforços devem ser somados para que os principais interlocutores das questoes que envolvem o HIV/AIDS, entre eles os pais, amigos e mídia e o professor, contribuam em conjunto. Reconhecer e valorizar a percepção do adolescente sobre a epidemia auxiliará a implementação de ações mais próximas e, portanto, mais adequadas aos adolescentes.

 

AGRADECIMENTOS

Ao CNPQ, pelo auxílio financeiro, aos alunos de Medicina da FASEH, pela contribuição na coleta de dados, e aos adolescentes, por permitirem aproximação do seu universo.

 

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