RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 22. 3

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Educação Médica

Conhecimento dos estudantes de Medicina sobre a avaliação curricular padronizada no processo seletivo da residência médica

Medicine students' awareness of the standardized curriculum evaluation in the scope of the admission process for medical residency

José Antonio Chehuen Neto1; Mauro Toledo Sirimarco2; Thaís Chehuen Bicalho3; Frederico Cantarino Cordeiro de Araújo3; Lícia Oliveira Resende3; Gustavo Guimaraes Moreira Balbi3

1. Professor Associado IV da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora - UFJF. Juiz de Fora, MG - Brasil
2. Professor Associado I da Faculdade de Medicina da UFJF. Juiz de Fora, MG - Brasil
3. Acadêmico do Curso de Medicina da UFJF. Juiz de Fora, MG - Brasil

Endereço para correspondência

José Antonio Chehuen Neto
E-mail: chehuen.neto@yahoo.com.br

Recebido em: 02/06/2011
Aprovado em: 17/11/2011

Instituiçao: Faculdade de Medicina da UFJF. Juiz de Fora, MG - Brasil

Resumo

INTRODUÇÃO: a residência médica (RM) é um curso de especialização destinado aos médicos visando à formação de profissionais não docentes. O ingresso deve constar, obrigatoriamente, de uma prova escrita, sendo, facultativas uma prova prática e entrevista. De modo geral, a entrevista consta da análise e arguição do currículo.
OBJETIVOS: apurar o grau de informação, o status atual na formação do currículo dos acadêmicos da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e destacar formas de como conseguir a máxima pontuação na avaliação do currículo.
MÉTODO: pesquisa transversal, aplicada, original, exploratória e descritiva, de campo, quantitativa. Aplicou-se questionário a 381 acadêmicos.
RESULTADOS: grau de informação dos estudantes sobre a RM: médio e baixo (89,76%); meios de informação sobre o processo seletivo: por colegas do curso (49,20%); quanto à procura ativa de informações sobre a seleção: 56,17% não procuraram; possuem inglês com certificado: 8,92%; realizaram monitorias: 45,41%; publicações em revistas indexadas: 9,42%.
CONCLUSÕES: a qualidade das informações sobre a prova de avaliação curricular para RM não é satisfatória e, na maioria das vezes, oriundas de fontes não oficiais; o conhecimento dos alunos sobre o processo de avaliação é baixo; o modelo atual de avaliação curricular é complexo e detalhista, abrindo brechas para diferentes pontuações para um mesmo item do currículo; como contribuição, nota-se que a quase totalidade da amostra pretende cursar uma especialização médica, dissociando-se da política estatal quanto à formação de futuros médicos generalistas.

Palavras-chave: Internato e Residência; Currículo; Educação de Pós-Graduação em Medicina; Educação Médica.

 

INTRODUÇÃO

A residência médica (RM) é um curso de especialização em nível de pós-graduação lato sensu, destinada aos médicos, que visa à formação de profissionais não docentes.1,2 Essa modalidade de especialização caracteriza-se pelo treinamento em serviço médico, vinculada e sob a responsabilidade de instituições de saúde, universitárias ou não.3 O médico-residente é acompanhado por um preceptor que é "um professor que ensina a um pequeno grupo de alunos ou residentes, com ênfase na prática clínica e no desenvolvimento de habilidades para tal prática".4 A RM é regulamentada pelo Decreto nº 80.281, de 05/09/1977, e pela Lei 6.932, de 07/07/198.4,5

Com base na resolução CNRM/SESU nº 8, de 05/08/2004, o ingresso deve constar, obrigatoriamente, de uma prova escrita, com peso mínimo de 50%, sendo facultativa uma segunda fase, composta de uma prova prática, com peso de 40 a 50%, e uma entrevista com peso de 10%.6

De modo geral, a entrevista consta da análise e arguição do currículo. Em Minas Gerais, o Conselho Estadual de Residência Médica (CEREM-MG) atualmente utiliza uma avaliação curricular padronizada.7-9 Já nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, cada instituição tem seu próprio método de avaliação, que pode variar de acordo com a especialidade. Por isso, torna-se essencial ao aluno dispor de um bom currículo, a fim de atender aos diferentes critérios de pontuação, mesmo porque há mudanças constantes nos mesmos.10

Durante o curso de graduação, o acadêmico de Medicina tem oportunidade de acesso a várias atividades extracurriculares, como monitorias, projetos de extensão e de pesquisa e estágios. Essas atividades são de extrema importância para a construção de um currículo capaz de pontuar e conseguir nota máxima no processo seletivo para a RM.

Pelo fato deste tema nunca ter sido explorado em nosso meio, visamos conhecer o grau de informação dos estudantes de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) a respeito da importância das atividades extracurriculares para o ingresso em um programa de RM. O intuito é também compreender como essas atividades são avaliadas (pontuadas) na entrevista em instituições do país, conhecer o status atual na formação do currículo, propor um roteiro de como conseguir ótima pontuação na entrevista de seleção para a residência médica e avaliar o interesse de prestar concurso para RM entre os acadêmicos da Faculdade de Medicina (FM) da UFJF.

 

MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de uma pesquisa transversal, aplicada, original, de objetivo exploratório e descritivo, de campo, quantitativa. Utilizou-se um questionário estruturado com seis perguntas de múltipla escolha que foi acompanhado do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias.

A coleta de dados foi desenvolvida no período de junho a outubro de 2009.

O questionário foi aplicado a estudantes de cinco turmas do curso médico da UFJF (3º, 5º, 6º, 7º e 9º períodos), que foram convidados a responder de forma voluntária, sem qualquer custo para eles. A amostra compreendeu 381 acadêmicos (39,69% da população), com erro amostral aproximado de 4%.11

Foi utilizado o programa Microsoft Access para a montagem do banco de dados e o programa Microsoft Excel para a análise dos dados colhidos. Os critérios de inclusão na pesquisa foram: estudantes de Medicina da UFJF cursando o terceiro, o quinto, o sexto, o sétimo ou o nono período. Os critérios de exclusão foram: alunos de Medicina pertencentes ao primeiro, segundo, quarto, oitavo, 10º., 11º. e 12º. período. A não devolução dos questionários ou questionários incompletos foi considerada perda amostral.

Antes do preenchimento do questionário os estudantes foram informados sobre a garantia de anonimato, já que este foi respondido individualmente e não identificado.

A participação na pesquisa implica risco mínimo ao participante, ou seja, não haverá interferência do pesquisador em algum aspecto do bem-estar físico, psicológico e social, bem como a intimidade do participante será respeitada, conforme os parâmetros contidos na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde, que dispoe sobre pesquisas envolvendo seres humanos.

O projeto foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da UFJF segundo parecer de número 043/2009 e protocolo 1688.032.2009.

 

RESULTADOS

A amostra compreendeu 163 homens (42,78%) e 218 mulheres (57,22%), sendo que 98,42% (n=375) revelaram pretensão de ingressar em uma residência médica.

Os entrevistados foram solicitados a autoavaliar seu grau de informação a respeito da RM - resultados: alto 9,19% (n=35), médio 47,24º% (n=180), baixo 42,52% (n=162), nenhum 1,05% (n=4).

Os principais meios utilizados para receber tais informações foram: colegas de curso (49,20%; n=306), internet (22,66%; n=141), editais (14,15%; n=88), professores (11,09%; n=69), não obtive (1,45%; n=9) e outros (1,45%; n=9).

Quanto à procura ativa de informações sobre o processo seletivo da RM, 43,83% (n=167) dos acadêmicos não procuraram. Entre aqueles que buscaram conhecimento (56,17%; n=214), os principais motivos foram: conversa com colegas de curso (25,06%; n=170), curiosidade (23%; n=156), estímulo pelos professores (5,45%; n=37) e sem outros resultados relevantes.

As atividades extracurriculares já concluídas pelos entrevistados, na época da colheita dos dados, estao resumidas na Tabela 1.

 

 

Foi pesquisada a conciliação do curso de graduação com as atividades extracurriculares e 64,57% (n=246) responderam que conciliam sem prejuízos, 15,75% (n=60) responderam que as atividades já prejudicaram os estudos e 6,03% (n=23) ainda não exerceram. Não responderam a essa pergunta 13,65% (n=52) dos entrevistados.

Foi pedido ao entrevistado que citasse três critérios que julgasse importante para seu currículo, no intuito de apurar o grau de conhecimento sobre o processo seletivo da residência, independentemente de seu autojulgamento. Os critérios mais citados foram: monitorias (23,96%; n=225), projeto de pesquisa (18,96%; n=178), língua estrangeira 18,64% (n=175), estágios extracurriculares 11,61% (n=109), projetos de extensão 8,31% (n=78) e trabalhos publicados 7,35% (n=69). Os demais, com porcentagem inferior a 2%, foram: trabalhos publicados, índice de rendimento acadêmico (IRA), participação em congressos, ligas acadêmicas, apresentação em congressos e organização de congressos. Os critérios em branco somaram 5,32% (n=69).

 

DISCUSSÃO

A RM é considerada o "padrao-ouro" da especialização em Medicina e é regulamentada pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM).12 Para ser assim designado, o programa deve estar vinculado e ser credenciado por esse órgao. Ao concluir essa modalidade de pós-graduação, o médico estará apto a submeter-se às provas para obtenção de título de especialista.12, 13 O especialista não tem exclusividade sobre a atividade médica relacionada à sua especialidade, qualquer que seja. Segundo o Parecer nº 5/1999 do Conselho Federal de Medicina (CFM), "não pode ocorrer o cerceamento do livre exercício profissional pelo fato de o médico não possuir especialidade médica", visto que a capacitação está contida no próprio diploma.14 Assim, o título de especialista é apenas presunção de conhecimento.15

Segundo dados do CNRM, em 2009 foram oferecidas 11.331 vagas de residência em todo o país para residentes de primeiro ano (R1).16 Na regiao Sudeste foram 6.697 vagas, sendo a maioria delas no estado de São Paulo, seguido pelo Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A concorrência por vagas nas várias instituições de saúde que fomentam a RM é acirrada. Acredita-se que, por ano, pouco mais de 50% dos médicos recém-formados ingressem em algum programa.17

Devido à grande demanda por vagas nos programas, o currículo acadêmico tem muita importância no processo de seleção, tornando-se, em muitos casos, o fator decisivo para o êxito. Esse fato, por si só, justifica e reforça a necessidade de conhecer os diversos critérios que compoem a avaliação curricular.

O Ministério da Educação determina que os cursos de Medicina ofereçam atividades complementares a serem incrementadas durante todo o curso de graduação, sendo reconhecidos: monitorias e estágios, programas de iniciação científica, programas de extensão, estudos complementares e cursos realizados em outras áreas afins.18

A ideia inicial dessas atividades é o enriquecimento da educação profissional a qual o acadêmico de Medicina se submete, visando à sua ampla formação. Mas além desse objetivo, essas atividades extracurriculares assumem outro papel: a formação de um currículo acadêmico competitivo. As grandes instituições de ensino médico, em seu processo seletivo para a residência, valorizam os alunos que tiveram formação mais rica e que abordaram o curso mais amplamente, ou seja: que tenham praticado essas atividades extracurriculares.7

Na avaliação curricular, o aluno é pontuado segundo a Tabela 2.7

 

 

Entendendo a avaliação curricular. Análise dos critérios apresentados pelos entrevistados

Aproveitamento curricular (3,0 pontos)

Nesse critério, o estudante é avaliado segundo as suas notas. A referência para pontuação será a metade maior das notas, isto é, dividem-se as notas em ordem crescente ao meio, na mediana. Se a mediana for superior a 85%, o aluno recebe a pontuação máxima de 3,0 pontos. Se ela estiver entre 80 e 85%, o aluno recebe 2,5 pontos. Se estiver entre 75 e 80%, recebe 2,0 pontos; entre 70 e 75%, 1,5 ponto; entre 65 e 70%, recebe 1,0 ponto; e se a mediana estiver abaixo de 65%, o aluno não pontua nesse critério.

O coeficiente de rendimento (CR) ou índice de rendimento acadêmico (IRA), citado por 1,92% (n=18) da amostra, avalia o aproveitamento curricular por uma média ponderada das notas segundo os créditos da disciplina. Na prova de RM, porém, a pontuação é feita segundo a mediana das notas.

conhecimento em língua estrangeira (1,5 ponto)

Para obter a pontuação máxima desse critério, é necessário ter uma certificação de fluência oral e escrita em inglês, segundo testes internacionalmente reconhecidos.

Os testes reconhecidos são: Test of English Foreing Language (TOEFL), Test of English for International Communication (TOEIC), International English Language Testing System (IELTS), Michigan e Cambridge. A pontuação é de 1,5 ponto para o avançado e 0,5 ponto para o intermediário. É importante realçar que a classificação em avançado ou intermediário decorre do escore obtido no teste internacional, de forma que não basta ter sido aprovado no teste (exceto Michigan), é necessário ter um escore alto o suficiente.

Os testes mais prestados pelos acadêmicos são os de Cambridge - Certificate of Proficiency in English (CPE), First Certificate in English (FCE) e Preliminary English Test (PET). O escore A no CPE ou FCE equivale a inglês avançado na avaliação, garantindo 1,5 ponto. O FCE B com escore B ou PET garante pontuação de inglês intermediário (0,5 ponto). Outras duas situações são pontuadas nesse critério, com 0,5 ponto: testes internacionais de fluência em outras línguas e cursos de inglês em nivel avançado certificados pela instituição, com carga horária e durações mínimas (360 horas e seis meses, respectivamente).

Dos alunos da UFJF, 38,32% (n=142) possuem alguma graduação em inglês, mas apenas 8,92% (n=34) com certificação internacional. Surge aqui, portanto, uma boa oportunidade para o aluno da FM da UFJF investir em seu currículo para melhorar sua pontuação.

Estágios extracurriculares / atividade de extensão (1,5 ponto)

Os estágios devem ser realizados em instituições que tenham residência médica, com duração mínima de seis meses e pelo menos 180 horas de carga horária. O primeiro estágio confere ao estudante pontuação de 0,6 e o segundo (que deve ser feito em área diferente) 0,4.

Os projetos de extensão devem ser realizados na própria instituição de origem do candidato, tendo duração e carga horária iguais ao estágio. O primeiro projeto garante 0,3 ponto e o segundo 0,2.

Essas duas atividades são as que os alunos da UFJF mais apresentam em seu currículo (estágios: 38,58º%; n=147; projeto de extensão: 34,38%; n=131). No entanto, os projetos de extensão não rendem pontuação muito expressiva.

Monitorias / atividades de pesquisa (1,5 ponto)

Esse critério vem sofrendo alterações constantes. Atualmente, podem ser consideradas até três monitorias, sendo a primeira pontuada em 0,6, a segunda em 0,4 e a terceira em 0,3 ponto. A duração mínima de cada uma deverá ser de um semestre letivo, com carga horária mínima de 180 horas, e devem ser realizadas em departamentos diferentes da faculdade. Além disso, a monitoria deve ser realizada em disciplinas curriculares.

A bolsa de iniciação científica garante 0,6 ponto nesse critério, com duração mínima de um ano (ou dois semestres letivos). A participação em grupo de pesquisa, sem bolsa, também é pontuada (0,4 ponto), desde que dure pelo menos um ano e haja alguma publicação relacionada.

Nosso estudo evidenciou que nenhum dos entrevistados apresentava três monitorias. Muitos apresentavam uma ou duas monitorias, com durações de um ano e/ou de seis meses (Tabela 1). As alterações recentes nas normas de avaliação curricular podem ter corroborado esses dados heterogêneos.

Projetos de pesquisa foram realizados por apenas 18,96% (n=178) dos alunos, justificando-se por falta de interesse do aluno ou até de oportunidades, entre outros.

É interessante realçar que não é preciso realizar todas as atividades para obter a pontuação máxima e o aluno deve estar atento para não investir firmemente em atividades que, no fim, não somarao pontos no critério.

Participação em eventos / ligas acadêmicas / cursos e suporte à vida (1,5 ponto)

Nesse critério o aluno pode obter pontuações entre 0,2 e 0,4 ponto. Não obstante serem múltiplas atividades e com baixa pontuação, sabe-se que é expressivo o número de alunos que pontuam de maneira semelhante em critérios mais valorizados. Assim, o diferencial pode estar aqui.

A autoria ou coautoria de pôster ou tema livre em congressos e simpósios pode render três pontuações, bem como organização ou a simples participação em ligas e jornadas. Os cursos de suporte à vida ministrados por instituições internacionalmente reconhecidas podem abrir duas pontuações.

Neste item, observa-se novamente que as pontuações de cada item excedem a pontuação máxima do critério, de forma que o aluno deve atentar para não somar uma pontuação maior.

Dos alunos da UFJF, apenas 26,77% (n=102) haviam apresentado trabalhos em congressos, uma lacuna a ser preenchida por aqueles que querem se sobressair. Na avaliação curricular de 2011 não consta mais a simples participação em congressos, verificada em 54,07% (n=206) dos entrevistados, alteração recente que comprova o dinamismo das mudanças dessas normas.

Publicações em livros ou revistas (1,0 ponto)

Neste quesito, o candidato obtém pontuações entre 0,2 e 0,3 pontos. Em todos os itens pode haver até duas pontuações de igual valor. São considerados: publicações de artigos na íntegra em revista indexada; publicação em anais de congressos em revista indexada; e publicação de livro ou capítulos de livro (autoria ou colaboração). Em todos, vale destacar a indexação, que deve ser consultada para verificar se os pontos serao validados.

Somente 9,45% (n=36) dos alunos entrevistados possuíam publicações em revistas indexadas. Isso pode ser explicado pela dificuldade na confecção de um artigo científico e de sua publicação. Porém, como critério proposto de forma individualizada na última atualização normativa, pode representar uma grande oportunidade de destaque do candidato.

Outras considerações

Apurou-se que a grande maioria dos acadêmicos (64,57%; n=246) parece conciliar bem os estudos (disciplinas curriculares) com essas atividades extracurriculares.

A maioria dos estudantes julga ter conhecimento baixo (42,42º%; n=162) ou médio (47,24º%; n=180) sobre o processo seletivo da RM. Mesmo aqueles que responderam ter nível de conhecimento alto sobre o processo seletivo da RM, quando solicitados a citar três critérios pontuados, referiram critérios errados (como: IRA, monitorias com duração excessiva, estágios ou monitorias vinculadas à área para a qual se presta o concurso). Há, portanto, clara necessidade de orientação do acadêmico.

A grande fonte de informações do aluno é de origem extraoficial: colegas de curso 49,20% (n=306) e Internet 22,66% (n=141) lideram, enquanto editais e professores estao em pequenas parcelas da amostra (14,15º%; n=88 e 11,09%%; n=69, respectivamente). O aluno mal informado está exposto a consequências negativas como, por exemplo, confiar em um currículo completo, mas com pontuação baixa, tornando seu currículo menos competitivo. Sendo assim, a comprovada necessidade de orientação do aluno deve agora ser feita por fontes confiáveis e representativas, eventualmente pela própria FM.

A avaliação vem sofrendo mudanças constantes, o que exige atenção nas estratégias do aluno para obter um currículo competitivo. Este tema, além de complexo, necessita de cuidado especial por parte do estudante durante sua formação, dada a grande gama de detalhes e pelas constantes mudanças.

A presente pesquisa não teve a intenção de fornecer uma "fórmula" para a aprovação do currículo no concurso de RM. Procurou-se esclarecer com pormenores o assunto (que é valorizado no meio acadêmico), disponibilizando informações analíticas e instrutivas, incentivando o estudante a buscar ativamente subsídios para a construção do seu currículo de forma mais competitiva. Além disso, a busca de uma nota máxima na avaliação curricular permite que o aluno desempenhe diversas atividades extracurriculares que vao contribuir para uma formação mais completa, além da aquisição de diversas habilidades.

Existem diversos modelos de avaliações curriculares que diferem entre as instituições e que sofrem reestruturação. Nosso interesse foi familiarizar o acadêmico com esse tipo de avaliação, realçar que deve estar atento às frequentes mudanças e que deve se adequar à avaliação curricular da instituição de seu interesse. Porém, as mudanças recorrentes do modelo de avaliação curricular podem dificultar o acadêmico a construir um currículo bem organizado durante os seis anos de curso. As novas formas de avaliar fazem com que tenha que se adequar. Essas modificações podem levar a uma indesejável falta de motivação, pois poderá se dedicar a uma atividade que inicialmente é válida, mas que deixou de ser ao prestar o concurso de residência médica.

 

CONCLUSÕES

A qualidade das informações obtidas sobre a prova de avaliação curricular para RM não é satisfatória e, na maioria das vezes, oriunda de fontes não oficiais. A FM da UFJF poderia ser a principal formadora de opiniao nesse campo de grande interesse acadêmico, assumindo postura proativa na informação da relevância do currículo e na pontuação para a prova de RM.

O status do conhecimento dos alunos sobre o processo de avaliação é baixo. Há importante desinformação e alguma distorção entre o que o estudante diz saber e o que realmente é correto sobre o tema. Emerge a oportunidade de orientar corretamente o estudante.

O modelo atual de avaliação curricular é complexo e detalhista, abrindo brechas para diferentes pontuações para um mesmo item do currículo, além das diversas modificações que são realizadas e das diferenças interinstitucionais.

 

REFERENCIAS

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