RMMG - Revista Médica de Minas Gerais

Volume: 25. 3 DOI: http://www.dx.doi.org/10.5935/2238-3182.20150066

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Artigos Originais

Percepção do homem em relação à infecção por papilomavírus humano - HPV

Man's perception of the human papillomavirus infection - HPV

Pedro Wagner Fonseca Pedreira1; Jacqueline Mazzotti Cavalcanti da Silva2; Bruna Karoline Santos Melo Monteiro3; Júlia Maria Gonçalves Dias4

1. Médico Estrategia de Saude da Familia. Ministério da Saúde. Secretaria de Atençao a Saúde. Riachao do Dantas, SE - Brasil
2. Médica Residente de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal da Bahia - UFBA. Salvador, BA - Brasil
3. Acadêmica do Curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe - UFS. Aracajú, SE - Brasil
4. Médica. Doutora. Professora Adjunta da Disciplina de Ginecologia do Curso de Medicina da UFS. Aracajú, SE - Brasil

Endereço para correspondência

Júlia Maria Gonçalves Dias
E-mail: julia.dias@globo.com

Recebido em: 29/01/2014
Aprovado em: 03/09/2015

 

Instituição: Universidade Federal de Sergipe Aracajú, SE - Brasil

Resumo

OBJETIVO: descrever a qualidade da percepção do homem quanto à infecção pelo papilomavírus humano em Aracaju, Sergipe.
MÉTODOS: trata-se de estudo observacional, transversal, por intermédio da aplicação de questionários abrangendo o conhecimento sobre a infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV) a dois grupos de indivíduos: o primeiro, sem algum esclarecimento prévio; e o segundo, após palestras prévias. O primeiro grupo foi entrevistado entre fevereiro e maio de 2012 e o segundo entre abril e junho de 2013. Foram incluídos no estudo os que atendiam aos critérios de inclusão e aceitaram participar da pesquisa a partir de assinatura no termo de consentimento livre e esclarecido. Os resultados obtidos foram analisados pelo programa SPSS. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética.
RESULTADOS: no primeiro grupo, 200 sujeitos responderam aos questionários, enquanto no segundo 90 sujeitos participaram da pesquisa com a omissão de respostas em vários itens do questionário. A respeito do conceito do HPV e quais doenças ele provoca, 42% do primeiro grupo demonstraram conceito correto. Este índice aumentou para 74,6% no segundo grupo. Sobre o conhecimento e a função da peniscopia observou-se diferença importante entre os sujeitos do primeiro e do segundo grupos, sendo que 93,5 e 92,5% no primeiro desconheciam a função e o conceito, respectivamente. E no segundo grupo, 72,6 e 64,6% demonstraram conhecimento, respectivamente.
CONCLUSÃO: a qualidade da percepção do homem sobre a infecção pelo HPV melhorou após ministração de palestras educativas acerca do tema, embora mesmo após serem orientados, importante parcela de indivíduos não demonstrou interesse em responder as perguntas sobre o assunto.

Palavras-chave: Papillomaviridae; Doenças Transmissíveis; Infecção; Prevenção de Doenças Transmissíveis; Homens; Percepção.

 

INTRODUÇÃO

O vírus do papiloma humano (HPV) é o mais comumente diagnosticado entre as doenças sexualmente transmissíveis. Existem cerca de 630 milhões de infectados em todo o mundo. Sua prevalência geral varia entre 9 e 13%, variável entre os homens dependendo dos métodos do estudo, bem como as diferenças entre as populações estudadas.1

A infecção pelo HPV tem sido relacionada ao câncer do colo do útero, assim como da vagina, vulva, ânus e pênis.2

O papilomavírus humano é espécie-específico, com formato isocaédrico, mede aproximadamente 55 mm e possui 72 capsômeros, destituído de envelope, além do genoma com dupla hélice de DNA circular. Em sua forma epissomal estão presentes nos tumores benignos e, quando integrados aos cromossomos das células hospedeiras, são encontrados nas neoplasias malignas.3

As mudanças no comportamento sexual nas últimas décadas junto com pouca informação sobre o HPV, principalmente no homem, têm feito com que esse vírus prolifere com muita rapidez e seja a doença sexualmente transmissível mais frequente.4

Os fatores de risco para aquisição de infecção por HPV são idade, atividade sexual, tabagismo, imunossupressão, gravidez e outros. Existe declínio visível de sua prevalência com a idade, referente aos aspectos epidemiológicos e transitoriedade da lesão, provavelmente pela redução de exposição a novos parceiros e desenvolvimento de imunidade a alguns tipos de vírus.5

O homem atua na dinâmica da transmissão, aumentando as chances de a mulher contrair o HPV e ter câncer de colo de útero, já que 99% das neoplasias de colo de útero são devidos a esse vírus. Ainda que menos frequente, o homem pode ter câncer de pênis ou de ânus devido ao HPV.6

A infecção pelo HPV pode se expressar clinicamente como condiloma acuminado ou verrugas na área genital, facilmente perceptível pelo seu portador. Pode ser subclínica, em que as lesões associadas só podem ser diagnosticadas pela colposcopia ou peniscopia e citologia. Pode ser infecção latente, diagnosticada pela detecção do DNA do vírus.7

Existe associação entre a infecção no homem pelo HPV e o câncer de pênis da ordem de 30,3%, principalmente do HPV tipo 16, com variação entre 15 e 46,3%. Em lesões que não sejam invasivas, como o câncer, notou-se a prevalência maior do HPV.8

Em comparação com outros subgrupos, homens jovens pareceram ter pior conhecimento sobre o HPV e não parecem ter ciência que podem disseminar o vírus, o que afeta a população feminina; ou estão sob o risco de ter condiloma ou câncer relacionado ao HPV. Os esforços educacionais para que a infecção pelo HPV e suas doenças associadas, com foco em homens jovens, sejam conhecidas pela população em geral podem ser benéficos para ambos os sexos.9

Foram encontradas evidências de pouco conhecimento sobre o HPV em pacientes com verrugas genitais. Não há diferenças acerca do conhecimento sobre o HPV entre os diferentes estratos de gênero ou idade.10 Constituem-se em medida essencial para a prevenção da infecção pelo HPV o conhecimento sobre sua morbidade e como promover sua imunização.11

Apesar de vários estudos relatarem casos de infecção por HPV no pênis, poucos abordam o conhecimento e a percepção do homem sobre esse vírus e o que ele pode causar.12 Alguns autores demonstraram que os homens possuem conceitos equivocados ou até mesmo não sabem da disponibilidade da vacina para homens.13

Embora a percepção e o conhecimento sobre o vírus e a doença não sejam indicadores de que haverá saúde pela mudança de comportamento, pois há várias outras influências sociais sobre a atitude, conhecer é o primeiro passo essencial para o sucesso de qualquer problema de saúde.1

Esta pesquisa corresponde à avaliação da qualidade e quantidade da informação que o homem aracajuano tem sobre o HPV.

 

MÉTODOS

Tipo de estudo

Trata-se de estudo observacional, do tipo transversal. Abrange dois grupos de homens: o primeiro entrevistado sem alguma informação prévia e o segundo após palestras educativas a respeito do assunto. Os grupos foram pareados pela idade e condição socioeconômica.

Local e período do estudo

A pesquisa foi realizada com dois grupos de homens pareados pela faixa etária entre 15 e 60 anos, com características sociodemográficas semelhantes em que um grupo respondeu aos questionários sem informação prévia sobre o assunto e o outro após palestra ministrada sobre a infecção pelo HPV no homem. As palestras foram ministradas em 11 locais e em cada uma delas os participantes variavam entre 15 e 20 pessoas. Os locais da palestras foram na Rádio Patrulha da Polícia Militar, no Corpo de Bombeiros do Bairro Industrial, na Secretaria da Fazenda, na Igreja Adventista do Sétimo Dia do Ponto Novo, no Batalhão da Tropa de Choque da Polícia Militar e na empresa Folgás. O período do estudo para o primeiro grupo foi entre fevereiro e maio de 2012 e para o segundo grupo foi de abril a junho de 2013. No primeiro grupo foram recrutados 200 sujeitos e no segundo 90 sujeitos.

Amostra

Em relação ao primeiro grupo, o cálculo amostral compreendeu 400 homens em atividade sexual na faixa etária entre 15 e 60 anos, escolhidos de forma aleatória.

Conforme intervalo de confiança para 95% (erro 5%), seria de 384 indivíduos (padrão-ouro - população finita ≈ 1.000.000). No entanto, houve perdas na coleta devido ao preenchimento indevido do questionário aplicado aos indivíduos do estudo, sendo contemplados 200 questionários.

Em relação ao segundo grupo, o cálculo amostral compreendeu 200 homens em atividade sexual na faixa etária entre 15 e 60 anos, escolhidos de forma aleatória.

Conforme intervalo de confiança para 95% (erro 5%), seria de 190 indivíduos (padrão-ouro - população finita ≈ 1.000.000). Dos 190 homens que assistiram à palestra, 90 preencheram o questionário e, destes 90, alguns não preencheram alguns de seus itens.

critérios de inclusão: em ambos os grupos foram incluídos todos os pacientes que aceitaram livremente participar do estudo. No primeiro, os que aceitaram responder os questionários; e no segundo, os que assistiram à palestra sobre HPV no homem e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Questionário preenchido.

critérios de exclusão: a não aceitação em participar do estudo. Questionários não preenchidos.

Instrumento de pesquisa

Para a coleta de dados, foi utilizado o mesmo questionário para ambos os grupos, em que se focou na caracterização do sujeito (perfil socioepidemiológico e sexual) e conhecimento dos homens sobre o HPV, totalizando 25 questões.

As perguntas visaram a conhecer a qualidade da percepção do homem em relação à infecção por HPV após ser informado da mesma.

As variáveis do questionário foram: idade, idade do início da vida sexual, quantas parceiras teve na vida, uso do preservativo, antecedente de DST, ouvir falar de HPV, conceito sobre HPV, homem pega HPV, homem transmite HPV, doenças que o HPV pode causar, conhece alguma pessoa que tem HPV, ouviu falar em peniscopia, função da peniscopia, faria uma peniscopia, tem parceira fixa, parceira faz preventivo regularmente, resultado do último preventivo da parceira, tratamento da parceira leva ao tratamento do parceiro, etilismo, tabagismo, higiene do pênis, escolaridade, renda mensal.

Coleta de dados e estatística

No primeiro grupo foi dada explicação prévia inicial para informar aos homens que participaram da pesquisa que suas identidades seriam preservadas, isentando-os de quaisquer danos. Não foram dadas explicações a respeito da infecção pelo HPV, pois iria interferir nas respostas iniciais ao questionário. Após a explicação, os homens que aceitaram participar da entrevista assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e, em seguida, responderam ao questionário.

No segundo grupo, ao final da palestra foi explicado que seria entregue um questionário com perguntas sobre o tema explanado para avaliar a qualidade da fixação do conhecimento sobre o HPV e que as respostas teriam sigilo absoluto e que assinariam um termo para autorizar o uso dessas informações. O questionário foi aplicado entre 12 horas e um mês, após a palestra, de acordo com a disponibilidade do sujeito em responder ao questionário. Os homens que aceitaram participar da entrevista assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme a Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

Os dados foram organizados e analisados em tabelas no programa SPSS 20.0. Foram confeccionados tabelas de distribuição de frequência e testes de associação de variáveis utilizando o teste do qui-quadrado.

Aspectos éticos

Após assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido, respeitando os princípios éticos e legais da Resolução nº 196/96, os homens responderam o questionário. A pesquisa foi submetida ao comitê de ética em pesquisa pelo número do certificado de apresentação para apreciação ética: 02891413.0.0000.5546.

A investigação não acarretou constrangimento ou perigo físico aos sujeitos em estudo, sendo mantidas suas identidades e informações escritas no questionário em sigilo.

 

RESULTADOS

A Tabela 1 mostra que no grupo 1 os participantes do estudo, em sua maioria, procediam da capital - 166 (83%); 170 (85%) tinham nível de escolaridade superior; 101 (50,5%) possuíam renda mensal de até seis salários mínimos; e 107 (53,5%) tinham 22 anos ou menor de idade; 173 (83,5%) não eram tabagistas; 199 (99,5%) faziam higienização do pênis; e 126 (63%) usavam bebidas alcoólicas. No grupo 2, todos procederam da região da capital do estado de Sergipe; 54% com escolaridade de nível superior, 67% com renda de até seis salários mínimos, 77% da população não eram tabagistas, 52,4% tinham hábitos etílicos e 100% dos homens higienizavam o pênis. Deve-se considerar que essas porcentagens eram dos que responderam aos itens respectivamente perguntados.

 

 

A Tabela 2 apresenta dados do comportamento sexual dos homens que responderam essas variáveis. No primeiro grupo, em relação ao comportamento sexual, 120 (60%) dos homens usavam preservativo; 198 (99%) não possuíam antecedentes de doenças sexualmente transmissíveis (DST); e 102 (51%) tinham parceiro fixo; 107 (53,5%) iniciaram sua vida sexual com 15 anos ou menos de idade; e 99 (49,5%) tiveram mais de seis parceiros. No segundo grupo, 45,2% sempre usavam preservativo nas relações sexuais, 91% não tinham antecedentes de DST; 92% tinham parceiro fixo; 88,6% das parceiras faziam exames preventivos, sendo que 98,6% dos que responderam o item do resultado do último exame da parceira disseram que estava normal; 91,5% dos homens relataram tomar o medicamento quando o médico de sua parceira pedia para que eles também o tomassem; 57,5% iniciaram a sua vida sexual após os 15 anos de idade; e 64,7% tiveram até seis parceiros sexuais na vida. Considerar que nem todos os homens pesquisados responderam todos os itens da pesquisa.

 

 

A variável definida como "conhece indivíduos com HPV?" forneceu resultados semelhantes, cuja maioria respondeu não conhecer, com valores de 87,5 e 78%, respectivamente na primeira e segunda etapa. Sobre o conhecimento e a função da peniscopia, houve brusca mudança da primeira para a segunda etapa, sendo que 93,5 e 92,5% na primeira etapa não sabiam a função nem o que é a peniscopia, respectivamente. Na segunda etapa, 72,6 e 64,6% sabiam o que é peniscopia e para que serve a mesma, respectivamente.

Outros resultados sobre as variáveis se o homem contrai (89 responderam) ou transmite (87 responderam) HPV mostraram que 100% responderam que sim, o homem pega e transmite HPV. Na primeira etapa da pesquisa, 17,5% responderam que homem não pega nem transmite HPV.

 

 

 

 

Quando efetuada a associação entre as variáveis "ouviu falar sobre HPV" e "conceito sobre HPV" no primeiro grupo, observou-se que 42% dos sujeitos ouviram falar do vírus e tiveram conceito correto do mesmo; e no segundo grupo essa associação ocorreu em 74,6% dos sujeitos, com significante associação.

Houve associação de significância limítrofe em 4,5% daqueles que tinham conceito correto sobre HPV e também sabiam sobre a função da peniscopia no primeiro grupo, porém, no segundo grupo, em que também houve significância limítrofe, 46,9% tinham conceitos corretos das duas variáveis cruzadas.

 

 

No primeiro grupo, 20% dos sujeitos tinham conceito correto sobre HPV e também conheciam alguma doença que o HPV provoca; já no segundo grupo, 66% dos sujeitos apresentavam essa associação, que foi significativa em ambas as etapas.

Apenas no segundo grupo todos os sujeitos que responderam sobre "qualquer conceito sobre HPV" fariam peniscopia.

A associação entre a idade dos participantes da pesquisa e o conceito sobre HPV para o primeiro grupo ressaltou que 60,7% tinham conceito incorreto sobre HPV e idade abaixo de 22 anos (p: 0,072), sem significância estatística. Verificou-se na segunda etapa que 54,2% tinham conceito correto sobre HPV e menos de 40 anos de idade, com significância limítrofe (p: 0,052).

 

DISCUSSÃO

No primeiro grupo, 170 (85%) dos homens tinham nível superior (completo/incompleto) e no segundo grupo a maioria tinha escolaridade de nível superior; 60,2% tinham menos de 40 anos de idade; a maioria com bom nível de renda; e poucos referiram o hábito de tabagismo. Foram poucos os homens que na segunda etapa, mais precisamente 47,3%, preencheram o questionário. E dos que o preencheram, alguns não o fizeram integralmente. A razão pode ser que, apesar de terem assistido à palestra, não captaram suficientemente a informação ou ficaram constrangidos em responder às perguntas.

No que se refere à associação da variável "ouviu falar em HPV" e se tinha um conceito correto sobre o HPV, no primeiro grupo da pesquisa, 63,2% dos que ouviram falar de HPV tinham conceito correto sobre o HPV; no segundo grupo, 75,8% dos homens que ouviram falar sobre HPV tinham conceito correto sobre o HPV. Entre universitários de Medicina e Psicologia, a intervenção educacional pode melhorar o conhecimento sobre o HPV de forma significativa. As respostas corretas neste estudo aumentaram 45%, antes da intervenção educacional, para 79% após o ensino sobre HPV.14

No primeiro grupo da pesquisa, em relação à variável sobre se o homem pega HPV ou se ele o transmite, 17,5% dos homens que responderam à pesquisa achavam que homem não contrai nem transmite o HPV; no segundo grupo, 100% dos que responderam ao questionário sabiam que o homem pega HPV e pode transmiti-lo. O homem é o principal elo na cadeia epidemiológica do HPV,6 portanto, seu desconhecimento sobre seu papel como transmissor e portador é fator de risco para a propagação da infecção.

O cruzamento de duas variáveis - conceito de HPV e quais doenças o HPV pode provocar - revelou, neste estudo, que 20% dos homens do primeiro grupo sabiam corretamente o conceito sobre o HPV e quais doenças ele pode provocar, enquanto 66% dos indivíduos do segundo grupo responderam corretamente às duas perguntas da pesquisa. Em pacientes de uma clínica de DST em Porto Rico apurou-se baixa prevalência do conhecimento e percepção do HPV, porém, entre a minoria que tinha conhecimento, esses conhecimentos eram significativos e possivelmente devidos à educação recebida na clínica por meio de cursos1.

Outro cruzamento de variáveis estatisticamente significantes encontrou-se no item que perguntava se o homem faria peniscopia e o item conceito sobre o HPV. Essa associação, no primeiro grupo, mostrou que 6,3% dos homens que responderam as duas perguntas fariam peniscopia, independentemente do conceito correto ou incorreto sobre o HPV, enquanto que no segundo grupo 100% dos homens responderam que fariam peniscopia, demonstrando que depois de saber, pelas palestras, da importância da peniscopia, todos os homens estariam dispostos a submeter-se a esse exame. No primeiro grupo, somente 7,5% conheciam sobre a peniscopia e 6,5% sabiam da função desse exame; e no segundo grupo, 72,6% dos sujeitos conheciam a peniscopia e 64,6% revelaram conhecimento sobre a função da mesma. A peniscopia é essencial para a detecção de lesões invisíveis a olho nu em homens assintomáticos parceiros de mulheres com HPV.7

Possivelmente houve um viés na análise estatística da associação entre conceito sobre HPV e a função da peniscopia de ambos os grupos, em que se obteve valor de p não significativo. Isso se deveu provavelmente ao baixo número de pessoas que responderam a essas duas questões conjuntamente.

É importante ressaltar que a orientação sobre o HPV para com os homens é de fundamental importância, devido à alta prevalência desse vírus na população em geral.

A intervenção educacional acerca do conceito sobre HPV, do papel do homem na transmissão ou recepção do HPV, das doenças que o HPV pode provocar e do conhecimento e da função da peniscopia serve para melhorar a qualidade da informação entre os homens sobre a DST de maior prevalência na população e interferir no papel do homem na história natural da infecção como transmissor e portador da doença.

 

CONCLUSÃO

A maioria dos sujeitos incluídos no segundo grupo do estudo tinha idade abaixo dos 40 anos, era procedente da capital, tinha escolaridade de nível superior, renda de até seis salários mínimos, não era tabagista, tinha hábitos etílicos e fazia higiene do pênis.

Em relação ao comportamento sexual, metade afirmava usar preservativos nas relações sexuais, a maioria não tinha antecedentes de DST e parceiro fixo e suas parceiras realizavam exame preventivo e demonstraram conhecer o resultado do exame. A maioria referiu se medicar junto com as parceiras, iniciou a vida sexual após os 15 anos de idade e teve até seis parceiros sexuais.

Analisando a associação entre o conhecimento sobre o HPV e variáveis relacionadas a informação, doenças e diagnósticos referentes ao vírus, foram observados dados semelhantes em relação após dois grupos.

Houve aumento da porcentagem do primeiro grupo para o segundo grupo entre aqueles que ouviram falar sobre HPV e tinham conceito correto do HPV, entre aqueles que sabiam que o homem contrai e transmite o HPV, entre aqueles que têm conceito correto sobre HPV e sabem quais doenças o HPV causa, e também entre aqueles que fariam peniscopia.

 

REFERÊNCIAS

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